Quem é que precisa de tudo isso?

Eu estava olhando aqui e descobri que, provavelmente, eu conseguiria viver perfeitamente bem sem a grande maioria das coisas que eu tenho e com as quais gastei, muitas vezes, verdadeiras fortunas para adquirir. Por exemplo. Todo mundo está cansado de saber que dá para tocar a vida numa boa sem comprar um forno de microondas. E, se não está cansado de saber, é só pensar em sua avó. É, rapaz, no tempo de sua avó, nem existia microondas. Eu me lembro, inclusive, que uma vez minha avó falou que no tempo em que ela era criança não tinha nem liquidificador, nem batedeira. Que ela se lembrasse não tinha nem eletricidade. E que a mãe dela, minha digníssima bisavó, fazia manteiga, chantili, bolos, panquecas e maionese batendo as coisas tudo ali, na mão. E todos eles viviam muito bem, obrigado.

Aí, eu paro e começo a reparar em volta de mim, aqui mesmo, na sala em que estou, e começo a ver quanta tranqueira que tem. É um amontoado de computador, antena de wifi, celulares esparramados pela mesa, impressora, tablet, pendrive, televisão, DVD, videogame, uma cristaleira, abajures dos mais diversos tipos e tamanhos. Abajur… Quem é que precisa de um abajur, deus do céu? Aliás, para que serve, exatamente, um abajur? Ele fica ali, na frente da luz, mais escurecendo do que iluminando.

Vamos ser sinceros. A gente não precisa de nada disso para viver. A gente foi inventando coisas que mais atrapalham do que ajudam. Essa cristaleira mesmo, que eu acabei de citar. Ela é um móvel enorme, que serve para a gente guardar cristais. No caso, pela falta de cristais, eu guardo aquelas coisas mais frágeis, tipos taças de champagne, uns pratos de porcelana que eu ganhei de casamento e um ou outro vasilhame que ninguém sabe direito para quê serve. Agora, essa cristaleira fica ali, no meio do caminho, e toda a vez que o meu neto abre uma de suas portas a gente fica bravo com ele, que ele não pode mexer ali e tudo o mais. A verdade é que essa cristaleira não serve para nada, só para irritar o meu neto. E, se for pra pensar bem, a gente também não precisa das mesas, dos armários (quem é que precisa de tanta roupa?), dos racks e dos tapetes.

Eu, por mim, fazia um limpa geral. Dispensava, inclusive, todas as cadeiras, poltronas, sofás e mesas que só servem mesmo para atravancar a casa.

Aliás, quem é que precisa de uma casa?

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