O que é que a gente faz quando não tem nada para fazer?

Outro dia desses, minha filha e minha mulher tiveram que ir até São José do Rio Preto para prestar um concurso. Algum cargo no Senai, Sebrae, ou coisa parecida. Elas entraram na sala por volta da meio dia e avisaram que sairiam de lá só umas quatro, cinco horas depois. Quer dizer, eu teria que ficar zanzando por ali umas quatro horas, sem nada para fazer além de ler um livro que, quis a providência, lembrei de levar.

Andei para lá, andei para cá, e fiquei meio sem saber o que fazer. Dei umas voltas pelas quadras em volta da escola onde estavam sendo realizados os exames e não havia uma droga de lugar para sentar. Mesmo num jardim que margeava o que, aparentemente, devia ter sido um riacho há não muitos anos, mas que hoje não passa de uma espécie de esgoto a céu aberto, não havia nem um banquinho sequer que possibilitasse a um ser humano ler um livro numa posição razoavelmente confortável. Tentei me ajeitar, deitando num pequeno gramado que havia por ali, mas todos os passantes me olhavam como se eu não fosse desse mundo, ou que estivesse consumindo alguma droga pesada. Incomodado, acabei me levantando, não apenas porque detestaria explicar a situação para policiais armados, mas por causa das formigas que teimavam em subir pelas minhas pernas, alcançando locais meio complicados de se coçar assim, em público.

Olhei no relógio e percebi que, desde o momento que deixei minha mulher e minha filha em frente à escola, já haviam se passado cerca de… 10 minutos! Eu precisava fazer alguma coisa. Comer, nem pensar, já que nós três havíamos acabado de almoçar para que as duas não tivessem que fazer as provas de estômago vazio. Resolvi, então, entrar numa loja de conveniência desses postos de gasolina, onde percebi por suas vitrinas de vidro uns dois banquinhos junto de um balcão.Entrei, me sentei e pedi uma água com gás.

– E para comer?

– O quê?

– O que o senhor vai comer?

– Hum… Nada.

– Os banquinhos são só para quem vai comer.

– Bem, então… quanto custa o salgado?

– Cinco reais.

– QUANTO?

– Cinco reais.

– Puts. E a água?

– Dois e cinquenta.

– Tudo dá… sete e cinquenta?

– Isso.

– Pode por o salgado aí, então.

Sete e cinquenta por quatro horas de ar-condicionado. Pensando bem, não era tão caro assim. Abri meu livro, e relaxei.

4 Respostas

  1. Pelo menos te deixaram entrar na loja de conveniência com o livro… Imagina se ainda te falassem: “Não pode entrar com livro comprado em outro lugar!”

  2. gostei dessa pelo
    menos te deixaram entrar
    com o livro. kkk🙂

    • éééé… tá ficando complicada a vida… já reparou como tudo tem cerca e muro?

  3. o ozino e lindo
    e eu amo eli
    tia mor
    i

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