O Devorador de Mundos

Apaixonados por peixe cru. Simpatizantes do sashimi. Amantes do sushi. Correi. O atum acabou de entrar para a lista de espécies ameaçadas de extinção.

Quer dizer, entrar, entrar, ainda não entrou. A Comissão Européia, braço executivo da União Européia, defendeu a inclusão do atum vermelho na lista de espécies ameaçadas com o objetivo de proibir o comércio internacional deste peixe já em 2011. O Japão, é claro, posicionou-se radicalmente contra. Afinal, embora no ocidente tenha muita gente que não passe sem o seu sashimizinho diário, são os japoneses que consomem 80% do atum vermelho pescado no planeta. O problema é que os ocidentais aficionados pela guloseima asiática vêm crescendo exponencialmente. E, ao mesmo tempo, os japoneses continuam se  procriando como nunca e sua outrora grande ilha parece estar ficando cada dia menor para tanta gente. Então, segundo aí esses grupos de defesa do meio ambiente, as reservas de atum vermelho diminuíram 75% só nos últimos cinqüenta anos, com tendência ao extermínio total em menos de 20 anos.

E, para ajudar, o salmão também não anda muito bem das pernas. Ou das nadadeiras, como preferir. Acontece que, quando os donos de restaurante japonês perceberam que o salmão poderia um dia sumir da face do planeta, tiveram a excelente idéia de começar a criá-los em cativeiro.

Como se sabe, o salmão é uma espécie migratória que começa seu ciclo de vida nos rios montanhosos, nada até o mar onde passa anos se alimentando e fugindo das ameaças oceânicas. Aqueles que sobrevivem, voltam até o rio onde nasceram para reproduzir, de uma só vez, toda uma nova geração de salmão. Só que isso demora mais do que a demanda mundial por sushis e sashimis suporta e, então, os caras começaram a criar o salmão em fazendas aquáticas. E o que aconteceu foi que, agora, praticamente todos os… os… (salmãos? salmões?) pegaram o diabo de um parasita que não apenas enfraquece e mata os peixes, mas que também pode fazer a mesma coisa com o consumidor desavisado. Afinal, as pessoas comem aquele negócio cru!

Esse negócio me faz lembrar de um conto de ficção científica que eu li uma vez. Não me lembro de quem era, preciso dar uma procurada nos meus livros. Mas a história era assim. O ser humano conseguiu chegar, enfim, a um planeta habitado, iniciando a “Era da Colonização Espacial”. Quando chegou lá, no entanto, a terra era improdutiva e não tinha nada para comer, a não ser uns lagartinhos dourados, que tinha aos montes. Os humanos se fartaram e, quando morreu o último espécime, resolveram que não dava para viver naquele planeta e viajaram para outro. Chegando lá, o solo também era improdutivo, e também não tinha nada para comer.

A não ser uns estranhos peixes azuis.

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