Ocos

Apesar de todo aquele papo de revolução cinematográfica, de efeitos 3D como nunca vistos antes, dos milhões de dólares gastos na descoberta de novas tecnologias e tudo o mais, o filme “Avatar” perdeu o Oscar para um filme de baixo orçamento que pode ser considerado bastante normal e até, digamos, no limite do convencional: o “Guerra ao Terror”. Mesmo quem não gosta muito de cinema nem lê muito a respeito sabe que o “Avatar”, nas primeiras pesquisas, era considerado por todo mundo favoritíssimo ao Oscar de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro. Para falar a verdade, ele era o favorito a melhor tudo. Pois, apesar disso, o “Avatar” ganhou só três oscars, e ainda por cima ganhou nessas categorias que ninguém dá muita importância, tipos, o melhor som ambiente digital ou coisa que o valha.

E porque é que o “Avatar” não ganhou quase nada, enquanto todo mundo esperava tanto dele?

Bem, a meu ver, a resposta é muito simples. Como a maioria das coisas e das pessoas de hoje em dia, faltou conteúdo. É. Con-te-ú-do. “Avatar” tem uma históriazinha até que bem legal, mas não passa disso. É roteiro de filme de Sessão da Tarde. São sempre aqueles mesmos heróis tentando mudar o mundo, lutando praticamente sem recursos contra uma grande potência bélica, tentando salvar a liberdade e a pureza de uma civilização qualquer, tudo isso com muita correria e batalhas épicas salpicadas por momentos românticos ou engraçadinhos.

O “Avatar” me faz lembrar de um amigo meu que, maravilhado pelas novidades tecnológicas da internet, resolveu criar um site totalmente inovador.

– Vai ser “O” Site.

Para isso, fez um monte de cursos, comprou um computador de última geração, e dedicou-se ao trabalho por quase um ano. Ele só falava disso, dizendo que O Site ia ter capacidade para gerenciar redes sociais, interagir com a nuvem e mais um monte de façanhas. Aí, um dia, ele me telefonou.

– Está pronto!

– O quê?

– O Site, oras. O Site!

E aí ele me mostrou. Realmente, era um site muito bonito. Cheio de efeitos especiais, luzinhas piscando e movimentos sensacionais.

– Bem, e o que é que eu faço nele?

– Como assim, “faz”?

– Oras, esse é um site de quê? De notícias? De fotos? De filmes? De jogos?

– Hã… Não, não tem nada disso no site…

– Bem, então porque é que as pessoas vão entrar nele?

Meu amigo ficou olhando para mim. A princípio, com uma certa raiva. Mas, aos poucos, a raiva foi dando lugar a um ar de frustração. E, finalmente, tristeza. Antes que ele começasse a chorar, eu ofereci umas crônicas e umas ilustrações para colocar lá no site dele.

Não chega a ser nada muito especial, mas já era um começo.

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