Ou acabam eles, ou acabamos nós.

É uma coisa que eu venho falando faz tempo e ninguém dá a mínima. Segundo o jornal “Telegraph”, uma pesquisa feita na Inglaterra chegou à conclusão que o hábito de nunca desligar o celular significa um acréscimo de cerca de dez dias de trabalho por ano. E que tem aumentado exponencialmente o número de pessoas que se sente estressada pela sensação de estar sempre “de plantão”, ao fácil alcance de seus gerentes ou patrões mesmo nos momentos mais íntimos.
Tudo bem. Esse é um caso sério. Mas, se o problema se resumisse apenas ao trabalho, ainda vá lá. A maioria das pessoas, embora reclame, até que gosta de ir trabalhar. Tem algumas que são até viciadas em trabalho, os chamados “workaholic”.
Acontece que o celular faz também outra coisa com a gente. Nós também ficamos cem por cento de nosso tempo… casados! É, casados. Isso para quem é casado, evidentemente. Mas mesmo entre os que ainda não são casados, o problema continua o mesmo. Os namorados ficam 100% de seu tempo namorados. Os ficantes, 100% ficantes.
É um inferno. O dia inteiro, nossas mulheres ligando para a gente perguntando como chamava mesmo aquele filme que a gente assistiu no dia em que se conheceu. Ou então perguntando onde é que a gente está. Ou então para contar que a Marilu da recepção lá do emprego dela recebeu uma promoção. E, na maioria das vezes, ela telefona só para dizer que se lembrou da gente e resolveu dar uma ligadinha, afinal, ligações para a mesma operadora são de graça para isso mesmo, não é?
E as mães? Tem as mães, também, como é que eu ia me esquecendo das mães! A gente está ali, no meio de uma reunião, e o celular toca. É a nossa mãe dizendo pra gente passar no supermercado depois de sair do trabalho e levar uma lata de milho, uma de ervilha e um vidro de palmito bom, não aquele picadinho que você levou da outra vez, porque o pai está com vontade de comer aquele cuscuz que ele gosta tanto.
A verdade é que, quem compra um celular, acaba ficando 100% de seu tempo de plantão no trabalho, 100% de seu tempo de plantão como esposo, 100% como namorado, 100% como filho, 100% como tudo. E não há quem aguente ficar 100% de tudo, 100% do tempo. Uma hora ou outra, esse negócio de celular vai ter de acabar.
Ou acabam eles, ou acabamos nós.

Uma resposta

  1. Meu irmão não tem celular, e não vai ter nunca. Uma vez, um cliente dele quis obrigar que ele tivesse um. Claro que ele perdeu o cliente…

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