Ponha-se no seu devido lugar

Esse negócio de Dengue faz a gente não apenas ficar doente, mas também nos coloca no nosso devido lugar em relação ao planeta, ao universo e tudo o mais. Porque, veja bem. Quando a gente morre num terremoto, por exemplo, nós morremos numa coisa imponderável, grande demais para ser controlada ou prevista. Ou num furacão. Ninguém sabe direito, até hoje, como ou porque diabos surge um furacão, e muito menos uma maneira de prever o surgimento de um. E teve também aquele baita asteróide que, segundo os cientistas, caiu por aqui uma vez, decretando a extinção dos dinossauros e o início da era dos mamíferos sobre a Terra. Mas, com essas tragédias todas, nós já estamos mais ou menos conformados. Elas ultrapassam e muito nossa capacidade de desafiá-las e já quase nem tentamos mais, essa é que a verdade.

Bem diferente desse mosquitinho da Dengue. Um mosquito é uma coisa meio banal, do qual a gente está acostumado a se desvencilhar com uma simples abanada de mão, uma soprada ou, no máximo, uma chinelada. Mas esse mosquito da Dengue é um verdadeiro inferno. Para você ver só uma coisa, entre 2008 e 2009, foram mais de um milhão de casos de dengue no Brasil e mais de seiscentas mortes notificadas. E há quanto tempo que a gente ouve essas campanhas aí, para combater o mosquito da Dengue? Parece que desde que eu me conheço por gente, esses caras ficam aí, avisando para a gente não deixar a água empoçar em cima da casa, não deixar a água parada nos pratinhos de plantas, para deixar as garrafas de ponta cabeça no quintal. E, isso a gente não pode negar, até os governos fazem a parte deles. Pelo menos, aqui na minha casa, todo ano passam uns agentes sanitários, dão uma olhada no quintal, ensinam para a gente as providências que devemos tomar, e depois de uma semana ainda passa aquele caminhão soltando fumaça pelas ruas. E adianta alguma coisa? Pois não adianta. Todo ano, o tal mosquito da Dengue surge sabe-se lá de onde e recomeça a procriar, como se ninguém tivesse feito coisa nenhuma.

É por isso que eu te falo. O ser humano é muito metido a besta. Acha que está com a bola toda, mas com todos seus iphones, notebooks e aviões supersônicos, não dá conta de exterminar nem um bichinho desse tamanhinho, ó, que não dá nem uma cabeça de fósforo.

No fundo, no fundo, nossa espécie é um verdadeiro fiasco.

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