Vamos raptar umas criancinhas?

Sabe aquela história de “onde você vê uma crise eu vejo uma oportunidade”, frase que as pessoas que se consideram otimistas jogam na nossa cara quando a gente se sente meio desanimado ou prestes a chutar o pau da barraca por causa de alguma coisa que deu muito errado em nossas vidas? Pois então. Eu sempre fui meio encanado com essa frase. Para falar a verdade, eu acho que nunca consegui entender ela direito. Porque, por mais que eu me esforce, eu nunca consigo ver oportunidade em porcaria de crise nenhuma. Quando eu estou em crise, eu estou em crise e pronto, e o máximo que eu consigo almejar é sair dela mais ou menos do mesmo jeito em que entrei. No meu modo de entender, se são necessárias crises para se obter mais oportunidades, eu, sinceramente, prefiro viver sem ambas.

E antes que alguém me venha com aquela balela de que, em chinês, “crise” se escreve do mesmo jeito que “oportunidade”, isso não é verdade. Pode procurar aí qualquer chinês que ele vai confirmar. Crise em chinês é crise mesmo, e essa história deve ter sido inventada por algum desses caras que dão palestras de auto-ajuda para empresários do interior.

Agora, tem uns caras que, parece, entenderam muito bem o significado da tal frase. Outro dia desses, dez norte-americanos foram presos no Haiti acusados de terem “roubado” dezenas de crianças do país, com intenções de sabe-se lá o quê. Tudo bem. Os caras ainda não foram julgados por um juiz de verdade, nem submetidos a um júri popular e tudo o mais. Mas eu não me espantaria nadinha se esses sujeitos não estivessem traficando crianças para serem escravas sexuais ou coisa pior. Até mesmo a ONU já afirmou seu temor de que as crianças haitianas órfãs ou que ficaram separadas de suas famílias após o terremoto “sejam vítimas de sequestro, venda, tráfico ou escravidão”.

Não seria a primeira vez na história que pessoas fazem coisas esquisitas visando lucro. Segundo o Congresso Mundial Judaico, por exemplo, os nazistas conseguiram juntar seis mil quilos (6 toneladas) de ouro tirados de dentes de judeus (!) durante a Segunda Guerra Mundial e, depois da ocupação pelos Aliados, ninguém sabe onde tudo isso foi parar.

Quer dizer, onde o mundo todo vê uma tragédia, sempre tem um monte de babaca vendo uma oportunidade de ganhar algum com isso. Nem que seja em cima de obturações dentárias.

Ou de crianças.

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