Ode ao Leite Condensado

Eu realmente não consigo entender como é que a humanidade conseguiu existir antes da invenção do leite condensado. Os cientistas e esses caras todos metidos a intelectuais, sempre quando são perguntados sobre qual foi a maior invenção ou descoberta da história da humanidade, sempre falam sobre umas coisas esquisitas, como a roda, o fogo, a bomba atômica e até o iPhone. Bem, para mim, essas coisas são absolutamente insignificantes quando comparadas com a invenção do leite condensado. O leite condensado é um divisor de águas. Antes do leite condensado, a humanidade não tinha nenhuma perspectiva de vida. Nós já havíamos chegado naquele ponto em que tanto faz como tanto fez. Nosso dia a dia era composto de um eterno acordar-trabalhar-almoçar-trabalhar-jantar-assistir-a-novela-e-dormir sem fim. Não é à toa que começamos a inventar coisas como a psicologia, o existencialismo e o Prozac. A vida estava perdendo completamente o sentido.

E foi aí que surgiu o leite condensado. Um cara chamado Gail Borden, em 1852, estava viajando de navio. Naquela época, nessas excursões transatlânticas, era necessário embarcar vacas para que os passageiros pudessem ter sempre leite fresco a bordo, já que ninguém ainda havia inventado a geladeira.  Contudo, nessa viagem de Gail, a vaca do navio adoeceu e não podia mais fornecer leite. Uma criança morreu por causa disso. O grande Borden, então, estudou uma solução que, de alguma forma, pudesse conservar o leite por mais tempo. Entre uma experiência e outra, Borden acrescentou açúcar ao leite e o desidratou. Experimentou uma colherada e, para sua surpresa, ele percebeu que o mundo era colorido, que a vida tinha um sentido oculto e magnífico e também que sua sogra até que não era uma pessoa tão má assim. Ele havia inventado o leite condensado e, ao mesmo tempo, já tinha sucumbido aos seus incríveis poderes curativos.

Como todas as invenções revolucionárias, o leite condensado também demorou um pouco para pegar aqui no Brasil, onde só chegou em 1876, na Bahia, estado que sempre se mostrou aberto a experiências gustativas de ponta, como já demonstraram o vatapá, o acarajé, o caruru e o xinxim de galinha. Depois disso, disseminou-se rapidamente por todos os outros estados, tornando a vida de milhares e milhares de brasileiros numa grande festa, repleta de brigadeiros, beijinhos e pavês de bolacha maizena. Já eu, particularmente, sempre preferi mesmo ao natural, fazendo dois pequenos furos na lata e ficar chupando, bem devagarinho.

Aí, é só sentar na varanda de casa e, entre uma chupadinha e outra, observar o mundo passar e concluir que, apesar de tudo, o ser-humano ainda deve ter salvação.

There are no comments on this post.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: