A volta das mortas-vivas

O que era para ser um show de beleza e sofisticação,fica parecendo até um filme de terror do George Romero. Estou falando desses desfiles de moda, em que as modelos parecem todas um bando de zumbis esqueléticos, com braços e pernas descarnadas, olheiras profundas e andar cambaleante, sendo aplaudidas por milionários gordos e suas fartas esposas. Nessa última São Paulo Fashion Week, por exemplo, teve gente que ficou até revoltada. Saiu artigo na Folha de S.Paulo e tudo o mais, dizendo que alguém tem de fazer alguma coisa antes que aquelas meninas morram de anorexia. E são meninas mesmo, algumas de apenas 18 anos, ou até menos.

Eu não sei exatamente em que ponto da evolução humana resolveu-se que uma mulher, para ser bonita, precisava ser magra. Ou até mesmo os homens. Durante praticamente toda a história da humanidade, ser gordo significou ser rico, bem de vida, ou então alguém muito culto, que passava sua vida em bibliotecas ou laboratórios, lendo, experimentando e se aperfeiçoando. Pode reparar nas pinturas da época. Os reis, os condes, os bispos, os papas, todos eles eram muito gordos. Veja aí o nosso D. João 6º, por exemplo, que é sempre mostrado com aquela pança enorme e geralmente lambuzado de frangos assados e vinhos tintos. Os magros, pelo contrário, eram os trabalhadores braçais, ou escravos, ou seja, aqueles que eram OBRIGADOS a fazer exercícios físicos para ganhar a vida. Quer dizer, não deviam ser considerados um bom partido e, muito menos, eram o exemplo mais perfeito da espécie humana.

Agora, de uns tempos para cá, o mundo virou de cabeça para baixo. Quem tem um monte de dinheiro para comer o que quiser, passa fome porque precisa ser magro. Essas modelos mesmo, não vamos mentir, ganham verdadeiras fortunas só para ficar andando para cá e para lá, mas nem com essa dinheirama toda elas podem comer um sundae de chocolate ou uma pizza de calabresa como os pobretões fazem praticamente  todo final de semana. Outro dia desses mesmo eu li uma mensagem no twitter dizendo que seria uma boa idéia eles mandarem essas modelos para o Haiti, para disseminar sua experiência de uma vida sem comida. Quer dizer, a coisa toda parece mesmo uma brincadeira de mal gosto e…

– Querida, eu nunca falei que você está gorda.

– Não falou mas fica olhando.

– Mas fico olhando o quê, meu deus do céu?

– O MEU PRATO! PÁRA DE OLHAR PARA O MEU PRATO!

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