Herodes

Tudo bem. Eu sei que as crianças são uns amorzinhos. Na publicidade, inclusive, sempre que nos faltam idéias mais criativas, a gente acaba usando a foto de uma criancinha para estampar um outdoor, um anúncio de jornal ou o que quer que seja. Sempre dá algum resultado porque todo mundo gosta de criança. Os cientistas dizem que isso acontece devido a um conjunto de características chamado de “esquema bebê”. Sabe aquele lance que toda criança tem, olhos e cabeças grandes, bochechas fofinhas. Então. Não há ser humano que resista a isso. Especialmente aquelas tias velhas que adoram dar beliscões na nossa cara e dizer “grachinha da titia” até quando a gente já virou adolescente.

O biólogo austríaco e prêmio nobel Konrad Lorenz foi o primeiro a descobrir e explicar esse efeito que as crianças exercem sobre os humanos. O “fator fofura”, como é chamado pelos leigos, faz parte de um dos nossos principais instintos, o da perpetuação da espécie. Nós tendemos a gostar e proteger as crianças porque, desta forma, estaremos também garantindo a sobrevivência da civilização como um todo. A sensação é tão forte que a coisa “amada” nem precisa ser propriamente um bebê. Qualquer objeto ou animal fofinho imediatamente nos faz sentir bem. É por isso que a gente gosta tanto de filhotes de cachorro, de gatinhos, de ursos pandas, de fuscas. E, obviamente, das crianças.

O problema é que não existe instinto de perpetuação da espécie que resista à experiência de ficar com quatro crianças de férias trancadas em casa com essa chuva que anda caindo. As crianças começam a procurar coisas para fazer. Também está no instinto delas. E as coisas que você tem dentro de casa, geralmente, são coisas que você não gosta que ninguém mexa, senão você as deixaria no quintal, e não trancadas dentro de casa, oras. Então, quando você menos espera, aparece o seu neto gritando “óia o caminhaum do nenê”, correndo pela sala com o seu celular sendo puxado pelo fio do carregador. Ou então o controle remoto de sua TV novinha é transformado em peteca, e a sua agenda aparece cheia de desenhinhos de patinhos, casinhas e au-aus.

Mas, até isso a gente agüenta. A brincadeira acaba mesmo quando elas resolvem jogar frisbee com minha coleção de antigos discos de vinil, ou com meus últimos DVD’s.

Aí, que me perdoe a espécie humana. Esses bandidinhos vão ver só uma coisa!

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