Pode ir juntando os bichos aí

A coisa toda começou com aquelas enchentes em São Paulo. O rio Tietê transbordou e São Paulo praticamente parou. Aliás, praticamente não. São Paulo parou mesmo, de verdade. Foi aquele deus nos acuda de pessoas que não conseguiam ir trabalhar, pessoas que não conseguiam voltar para casa e aquele monte de casa inundada. Tem, inclusive, um bairro que até hoje ainda não secou, e as pessoas para saírem de casa têm que andar num lamaçal dos infernos. Você deve ter visto as reportagens, não é possível, todo mundo viu, saiu até no Fantástico.

Aí, o negócio começou a acontecer numas cidades do interior também. Não sei se você lembra, mas há alguns meses já teve aquele cara que salvou uma moça de morrer afogada bem em frente a um McDonalds de São José do Rio Preto. E a coisa não aconteceu à beira de um rio, nem nada disso. Era só um cruzamento de duas avenidas, a dezenas de quilômetros do rio mais próximo. Foi uma enxurrada causada única e exclusivamente pelas chuvas. E agora, em São Luiz do Paraitinga, teve uma enchente que quase varreu a cidade do mapa. Diversas casas e casarões, parte deles tombados pelo Patrimônio Histórico, correm o risco de desabar a qualquer momento. E, apesar da Defesa Civil já ter autorizado cerca de 1.800 moradores a retornarem para as suas casas, quando eles chegaram lá, em suas casas, encontraram tudo destruído. Já imaginou? De uma hora para outra você perder sua geladeira, fogão, sofás, camas, computadores, livros, comida. Não dá nem para imaginar, né?

E para completar, ainda teve aquela tragédia lá em Angra dos Reis. De onde é que veio aquela água toda, meu deus do céu? Até os pescadores que moram por lá desde que nasceram disseram que nunca tinham visto nada parecido. Os deslizamentos de terra levaram tudo, desde as pequenas cabanas dos caiçaras até as pousadas dos grã-finos.Quer dizer, você tem de concordar que tem alguma coisa muito errada aí nessa história. Não pode ser só uma coincidência tanta chuva, tanta enchente e…

– Tá, tá, eu entendo sua preocupação. Realmente, o tempo anda bem esquisito. Mas eu ainda não entendi o que essa história tem a ver com esse monte de madeira que você encomendou. E esses pregos, e essas ferramentas, o que é que você vai fazer com isso tudo?

– É para a arca, ué.

– Para o quê?

– PARA A ARCA, RAPAZ, A ARCA!

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