Férias pra que te quero

Eu não sei se sou eu quem está ficando velho. Mas as férias já não são mais como as de antigamente. A coisa já começa a pegar pela duração. No meu tempo de criança, as férias duravam aí, pelo menos uns quatro meses. E isso naquele tempo que eu tinha energia de sobra. Hoje, quando a minha energia já não está lá essas coisas, e as baterias não recarregam mais com a velocidade de antes, as férias encurtaram para meros quinze dias.

É, quinze dias. Você pode vir com esse papo de que a lei diz que as férias são de trinta dias e tudo o mais, mas então pergunta por aí, para quem você quiser, quantos dias as pessoas tiram de férias por ano. Pode ser rico, pobre, proprietário, empregado ou profissional liberal. Todo mundo só tira quinze dias, e ainda por cima coincidindo com o Natal e o Ano-Novo, o que faz as férias durarem menos ainda. É, porque, só com as viagens para ver a família ou para a praia, a gente já gasta aí, pelo menos, uns dois dias de trânsito.

Tudo bem. Você também pode argumentar que uns dez dias já é tempo mais do que suficiente para dar uma boa descansada. E é aí que está o outro problema. Quem é que consegue descansar nas férias? Do primeiro ao último dia de nossa “folga”, nos vemos envolvidos por uma série de armadilhas que nos impossibilitam, inclusive, de tirar aquela sonequinha que a gente tira depois do almoço, mesmo nos dias de trabalho. É um tal de fazer compras de última hora, arrumar mais uns panetones, uma lembrancinha para a tia Concheta e um presentinho para o tio Juvenal, que eu vou te contar… Para você ver só uma coisa, teve um ano em que, em plena tarde do dia 24 de dezembro, enquanto a maioria das pessoas estava tomando umas cervejas ou um banho de mar, eu estava enfurnado no meio de um chiqueiro, atolado num misto de lavagem e cocô de porco, tentando capturar um leitãozinho que se transformaria no prato principal de nossa mesa de Natal. É ou não é para desanimar?

Mas tudo bem. Tal como a morte ou a maionese de aipo da minha tia na ceia do reveillon, as férias são mesmo inevitáveis. Resta-nos apenas contar os dias para isso acabar o mais rápido e menos dolorosamente possível.

There are no comments on this post.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: