contra um nazista não é violência

O Caetano Veloso uma vez falou que, quando ele está nos Estados Unidos ou na Europa, é chamado de mulato. E que no Brasil, na África e na maioria dos países latinos, ele é considerado branco. O que quer dizer que as coisas, incluindo aí até as cores, podem variar muito, não pela simples mistura de tons, mas conforme o estado de quem a vê.

Agora mesmo, nos Estados Unidos, eles fizeram uma pesquisa com a população para saber de que cor eles achavam que o presidente Obama era. E o resultado foi bem esquisito, para dizer o mínimo. Segundo a Folha de S.Paulo, “a maneira como o eleitor enxerga o candidato está diretamente ligada à sua intenção de voto”. Na prática, a pesquisa indica que as pessoas que votaram no Obama achavam que ele era mais clarinho do que os que não votaram nele, o que não apenas reitera a tese do Caetano, como demonstra também um evidente racismo até no americano que votou no presidente, já que eles acham que o Obama é “mais branquinho” do que realmente é.

Essas coisas me vieram à cabeça depois que assisti a um filme do Quentin Tarantino outro dia desses, no cinema. No filme, que se passa durante a segunda guerra mundial, um grupo de militares americanos vai para a Alemanha para matar nazistas. Simples assim. Eles não tinham planos, nem metas, nem objetivos concretos. Eles só iam lá matar nazistas. E é o que eles fazem durante todo o filme, e com requintes de crueldade.  Para não estragar o final para vocês, que é realmente surpreendente, vou só contar apenas que uma das únicas regras do tal grupo era escalpelar todos os nazistas que eles matavam. Isso mesmo. Escalpelar.  Depois de torturar os nazistas até a morte, eles ainda tiravam o escalpo dos caras para levar para a casa como lembrança, igual os índios apaches faziam. Pode parecer assim, à primeira vista, que o filme é horrível. Bem, ele não é. Aliás, mesmo nessas cenas mais violentas, a gente não se sente tão horrorizado assim. Eu, pelo menos, muitas vezes me peguei até rindo e pensando que esses nazistas mereciam era coisa pior.

O que nos faz voltar para o começo dessa crônica. Assim como a cor da pele e o racismo, a violência também depende do ponto de vista de quem vê. Afinal, quem é que não gostaria de ter a chance de dar um bom pontapé no traseiro do Hitler? E quem é que, em sã consciência, tem coragem de condenar um pai por ele tirar o escalpo do assassino de seu filho?

E o que eu quero dizer com isso tudo? Sei lá. Talvez que a vida seja muito complicada para estar nas mãos de políticos e advogados.

There are no comments on this post.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: