Toda paixão acaba em crime

Quando estou cansado, bem cansado mesmo, eu assisto uma partida de futebol.

E não é porque eu adore futebol. Não, não tem nada a ver com isso. Muito pelo contrário. Dez minutos depois da partida começar, eu já estou no mais profundo sono. Uma partida de futebol, para mim, tem o mesmo efeito de um copo de leite quente, ou de um sonífero, ou de um Prozac, ou de tudo isso junto. Durmo de sonhar mesmo. De babar no travesseiro. E isso acontece até quando o time pelo qual eu torço está ali, disputando a partida mais importante de sua história. Para você ver só uma coisa, lembra aquele jogo, que o Brasil perdeu para a França, na última Copa do Mundo? Então. Eu dormi. Só fiquei sabendo do resultado uma ou duas horas depois, pela internet, e foi lá também que eu vi aquele lance do Roberto Carlos arrumando a chuteira enquanto os caras faziam um gol.

Então, provavelmente por essa minha total incapacidade de assistir a noventa minutos de um jogo de futebol, tem umas coisas que acontecem por aí que eu realmente não consigo compreender. Como essa onda de violência contra o time do Palmeiras, por exemplo. O que será que se passa na cabeça de um torcedor quando ele apedreja um ônibus cheio de gente, especialmente quando este ônibus está levando os jogadores do time para o qual ele mesmo torce? E o que diabos pensaram esses três caras que resolveram espancar o Vagner Love numa agência bancária, lugar onde cada um devia estar cuidando de sua própria vida privada? Para mim, isso ultrapassa qualquer medida de bom senso, mesmo se levar em conta essa tal de “paixão que todo brasileiro tem pelo futebol”.

Até mesmo porque o Palmeiras não está nem tão mal na tabela. Entre os vinte concorrentes ao título, se não for o campeão, ele deve ficar aí, no máximo, no máximo, em terceiro ou quarto lugar, o que não é, nem de longe, uma vergonha nacional ou uma demonstração de falta de empenho da equipe.

É por causa dessas coisas que eu não gosto muito de esportes. Tudo bem que, segundo uns médicos, a prática de exercícios físicos traga benefícios à saúde e tudo o mais. Mas os esportes, de uma maneira geral, desenterram na gente aquele instinto primitivo de homem das cavernas que demoramos milênios para enterrar.

Eu, da minha parte, prefiro dormir.

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