Obrigado meu Deus pela Propina Recebida. Amém.

A maior novidade dessa história do mensalão lá de Brasília nem foi aquela dinheirama toda.

Tudo bem que as imagens daqueles caras enfiando notas de cem no bolso das calças, das camisas e até nas meias foram cenas chocantes. Nós, pobres mortais, sempre ficamos mais ou menos abismados quando nos deparamos com um maço de notas de cem. Parece coisa de filme de gangster, de traficante, sei lá. Eu, por exemplo, sou tão mal acostumado com notas de cem que, outro dia desses, ao receber um pagamento, confundi uma nota de cem com uma de dois reais, que tem mais ou menos a mesma cor. Se não fosse a honestidade do dono da padaria, eu teria pago quatrocentos reais num maço de cigarro, e só ia acabar percebendo uns dois dias depois, quando fosse fazer o depósito. E aí, blau blau.

Mas, vamos ser sinceros. Com essas cenas de políticos recebendo um monte de dinheiro vivo nós já estamos mais ou menos acostumados. Volta e meia aparece uma coisa dessas, desde a época do mensalão. Ou daquele outro… Aquele, que levava dinheiro na cueca, lembra? E daquela vez que tiraram uma foto de um monte de dinheiro, que ia ser usado pelo PT para comprar um dossiê contra o Serra ou coisa assim, lembra? Então. Se ficasse só nas cenas de um fulano recebendo dinheiro de outro , esse rolo do governador de Brasília não iam ter muita novidade. Pilhas de dinheiro filmadas ou fotografadas se tornaram carne de vaca na capital brasileira, e nem iam chamar tanto a atenção da imprensa e da população.

A novidade de verdade desse caso ficou por canta daquela cena de alguns deles rezando, agradecendo a Deus pelo dinheiro recebido. No vídeo, o deputado Rubens César Brunelli,  o atual presidente da Câmara, Leonardo Prudente e o ex-policial e ex- secretário do governo de José Arruda, Durval Barbosa (este último o denunciante do esquema) se abraçam e realizam uma longa oração. Um deles, inclusive, assumindo seus pecados, dizendo que “Sabemos que somos falhos, somos imperfeitos… mas somos gratos por essa benção em nossas vidas” sendo que a “benção”, no caso, era um baita maço de notas de cem e cinqüenta reais, devidamente embolsadas por cada um deles.

Só me faltava essa agora. Rezar agradecendo a propina. Mas é muita cara de pau, não é não?

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