Archive for dezembro \17\UTC 2009

Férias pra que te quero
17/12/2009

Eu não sei se sou eu quem está ficando velho. Mas as férias já não são mais como as de antigamente. A coisa já começa a pegar pela duração. No meu tempo de criança, as férias duravam aí, pelo menos uns quatro meses. E isso naquele tempo que eu tinha energia de sobra. Hoje, quando a minha energia já não está lá essas coisas, e as baterias não recarregam mais com a velocidade de antes, as férias encurtaram para meros quinze dias.

É, quinze dias. Você pode vir com esse papo de que a lei diz que as férias são de trinta dias e tudo o mais, mas então pergunta por aí, para quem você quiser, quantos dias as pessoas tiram de férias por ano. Pode ser rico, pobre, proprietário, empregado ou profissional liberal. Todo mundo só tira quinze dias, e ainda por cima coincidindo com o Natal e o Ano-Novo, o que faz as férias durarem menos ainda. É, porque, só com as viagens para ver a família ou para a praia, a gente já gasta aí, pelo menos, uns dois dias de trânsito.

Tudo bem. Você também pode argumentar que uns dez dias já é tempo mais do que suficiente para dar uma boa descansada. E é aí que está o outro problema. Quem é que consegue descansar nas férias? Do primeiro ao último dia de nossa “folga”, nos vemos envolvidos por uma série de armadilhas que nos impossibilitam, inclusive, de tirar aquela sonequinha que a gente tira depois do almoço, mesmo nos dias de trabalho. É um tal de fazer compras de última hora, arrumar mais uns panetones, uma lembrancinha para a tia Concheta e um presentinho para o tio Juvenal, que eu vou te contar… Para você ver só uma coisa, teve um ano em que, em plena tarde do dia 24 de dezembro, enquanto a maioria das pessoas estava tomando umas cervejas ou um banho de mar, eu estava enfurnado no meio de um chiqueiro, atolado num misto de lavagem e cocô de porco, tentando capturar um leitãozinho que se transformaria no prato principal de nossa mesa de Natal. É ou não é para desanimar?

Mas tudo bem. Tal como a morte ou a maionese de aipo da minha tia na ceia do reveillon, as férias são mesmo inevitáveis. Resta-nos apenas contar os dias para isso acabar o mais rápido e menos dolorosamente possível.

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Vamos partir para a porrada?
15/12/2009

Minha geração é composta de um bando de esquizofrênicos, com problemas de dupla personalidade. Para você entender melhor esse meu diagnóstico um tanto quanto fatalista e generalizante, basta lembrar que a primeira coisa que a gente fazia quando mudava para uma casa, no tempo da faculdade, era pendurar na parede um pôster do Gandhi e outro do Che Guevara. Só por aí, já dá para ver que a gente nunca soube direito o que queria da vida. E tinha gente que pendurava outros pôsteres também, todos eles beirando a demência completa e irreversível. Já cheguei até a ver uma casa, uma vez, que tinha um pôster do Marx lado a lado com um da Farrah Fawcett. Quer dizer. Era uma mistureira dos infernos, mais ou menos um espelho do que acontecia na nossa cabeça. Ao mesmo tempo em que a gente tinha heróis que pegavam em armas para depor o regime militar, como o Fernando Gabeira, a gente também tinha heróis que pregavam a paz e o bissexualismo, como o… o Fernando Gabeira.

Então, quando eu vejo uns caras atacarem fisicamente uns políticos, eu não sei direito o que pensar.  Naquela vez que um cara tacou um sapato no Bush, tudo bem, deu para dar umas risadas pelo inusitado da situação. Afinal, não é todo dia que um político é atacado com um sapato, e também não é todo dia que a gente vê um bobalhão na presidência da maior potência militar do planeta. Além disso, ninguém acabou ferido, e não se viu sangue, e nem olhos roxos, e nem nada dessas coisas.

Mas agora, com essa do premiê italiano Silvio Berlusconi, foi diferente. O cara, que, aliás,  não é nenhum bobalhão nem um ditadorzinho que tomou o poder à força, levou uma bordoada que podia ter matado. Atingido por uma estátua de metal, ele sofreu uma fratura no nariz, teve dois dentes quebrados e ficou com os lábios cortados de tal maneira que, nas fotos, parecia que ele tinha sido atropelado por um trator dirigido pelo Mike Tyson.

E é aí que aquele nosso lado meio esquizofrênico vem à tona. Ao mesmo tempo que a gente acha que devia começar a fazer o mesmo com todos os nossos políticos corruptos, a gente também acha um absurdo acontecer uma coisa dessas nos dias de hoje, e que isso é coisa de selvagens sem noções de civilização.

Eu, da minha parte, acho que um sustinho de vez em quando não faz mal para ninguém. Tudo bem. Não precisava ser uma estátua de ferro. Mas uma de gesso, sei lá, não deve causar tanto estrago assim, deve?

O Lula falou merda
13/12/2009

Foi realmente de encher os ouvidos. Eu ali, assistindo o “Jornal Nacional”, e de repente me aparece o Lula, num daqueles seus discursos inflamados, dizendo que queria tirar o brasileiro da MERDA. Não sei se foi impressão minha, mas até os apresentadores do mais tradicional telejornal brasileiro me pareceram ficar meio vermelhos ao ouvir a fala do nosso desbocado presidente da república.

Pois, nesse caso específico, eu estou ao lado do Lula e não abro. Eu não sei bem como é na casa de vocês mas, na minha, MERDA nem pode mais ser considerado um palavrão. A definição de “palavrão”, para mim, é a de uma expressão usada para ofender alguém, geralmente de conotação racista ou sexual. Mas me fala aí quem é que você está ofendendo quando diz a palavra MERDA? Pois eu te respondo: ninguém. A gente usa a palavra MERDA em momentos de tensão, só para dar uma relaxada. Os mais idosos é que encanaram que MERDA era palavrão, e passaram a repreender severamente seus descendentes com ameaças de lavar a boca deles com sabão e coisas do gênero. E esse negócio dos mais velhos acabou se estendendo para toda a imprensa brasileira. Quantas vezes você já não viu, por exemplo, no meio de uma reportagem numa revista ou num jornal, uma ridícula letra M seguida de três pontinhos?

Oras, vamos deixar de hipocrisias. Hoje em dia, MERDA é uma palavra usada por todo mundo, dita em alto e bom som por e para crianças, jovens, adultos e vovós, desde na mesa do almoço ao se comentar sobre o trabalho, até na cadeira de balanço quando se erra um ponto do crochê. MERDA é, praticamente, uma instituição nacional, assim como SHIT o é para os americanos.

Acontece que os americanos, em qualquer filminho, desses mesmo, para crianças, usam o seu SHIT desavergonhadamente há muitos anos, e ninguém nem liga. Já, nós, que achamos que somos todos liberais com nossas garotas-frutas rebolando em fios dentais para as câmeras de TV, não ousamos colocar a palavra MERDA nem nas novelas que tem como cenário um boteco de bairro. Tudo bem. Então tente se lembrar só de uma vez que você entrou num boteco e não ouviu a palavra MERDA dita em voz alta por um dos frequentadores ou até mesmo pelo dono do bar? No Brasil, todo mundo fala MERDA.

Nada mais justo que termos um presidente que fala MERDA também.

Ratos suicidas
10/12/2009

Quando a gente reclama da chuva que não pára de cair, os mais velhos sempre fazem aquela cara de desaprovação e dizem que “chuva é sinônimo de vida”, que a gente tem de agradecer por estar chovendo e tudo o mais. E quando eu digo “mais velhos”, estou me incluindo aí, é claro. No meu tempo de moleque, aliás, toda vez que chegava a época das chuvas, era quase uma festa. Para você entender melhor o que eu estou querendo dizer, basta citar que, nas escolas comemorava-se a primavera como se comemora, hoje, o lançamento de uma nova versão do orkut ou algo assim. As professoras pediam para a gente desenhar nos cadernos de “Educação Artística” as flores que estavam nascendo por causa das chuvas. Para pintar os campos cheios de milho e café (é, naquele tempo plantava-se muito milho e café, e São Paulo não era, ainda, esse imenso canavial).

Enfim, a chuva sempre foi uma espécie de marco divisório entre uma época de muita necessidade e carência para um tempo de fartura e felicidade.

Mas, como dizem (também desde aqueles tempos), as coisas mudam. Hoje, antes de sair de casa, não tem um que não dê uma olhadinha para o céu e, em algumas cidades, a simples presença de uma nuvem um pouco mais negra no horizonte já causa arrepios.

Em São Paulo, por exemplo, de acordo com a Defesa Civil, pelo menos 400 famílias tiveram que deixar suas casas por causa das últimas chuvas. As avenidas marginais viraram um verdadeiro rio e um monte de gente nem tentou ir trabalhar. Algumas até morreram. E isso não acontece só nessas enormes megalópoles, não. Em Rio Preto mesmo, outro dia desses, um salvamento espetacular no meio da enxurrada saiu até no Fantástico. E, tudo isso, por quê? É porque tem chovido mais que antigamente? Não. É porque alguma represa se rompeu? Não. É porque o sistema de drenagem foi mal planejado? Também não. Essas enxurradas acontecem, simplesmente, por causa do lixo que a gente joga na rua e que acaba entupindo os bueiros.

Todo ano, o pessoal avisa que, se a gente não parar de jogar lixo na rua, vai ter o mesmo problema, e a gente continua jogando cigarro, embrulhos de bala e saquinhos de salgadinhos no meio da rua, como se não fosse com a gente. Para mim, a humanidade já está começando a parecer um bando de Lemingues.

E, para quem não sabe, Lemingues são aqueles pequenos roedores que, quando migram em bando, muitas vezes se suicidam saltando abaixo de penhascos.

O Ministério da Saúde adverte: Futebol faz Mal à Saúde
08/12/2009

Não é que eu esteja contente com isso tudo o que aconteceu mas, infelizmente, vou ter que repetir uma frase que eu mesmo odeio ouvir quando vinda dos outros. Eu não avisei?

Pois um ou dois dias antes das finais desse campeonato brasileiro, aqui mesmo, nessa coluna, eu disse que esse negócio de esportes era uma coisa esquisita. Que o esporte, em especial o futebol, fazia ressurgir no ser-humano, tanto em torcedores quanto em atletas, uma série de instintos primitivos que eu não sei se fazem muito bem para a espécie como um todo.

Então, agora, não me venham com choradeiras. Pois se, mesmo antes das finais começarem, já tinha torcedor apedrejando ônibus e caçando jogadores por aí, o que é que eles achavam que ia acontecer depois? Todo mundo ia levar flores e mensagens de paz e fraternidade para o estádio?

Bem, para quem achava, aí está a resposta. No estádio Couto Pereira, em Curitiba, teve uma baita de uma invasão de campo, com uma verdadeira manada de torcedores revoltados com o rebaixamento do Coritiba para a Série B entrando em confronto com árbitros, jogadores e policiais. Só para você ver a que nível chegou a violência, um cara atingiu com uma barra de ferro o queixo de um soldado, o que, para mim, é pura e simplesmente uma tentativa de assassinato. E um outro, de apenas 19 anos, está internado em estado grave depois de levar um tiro na cabeça. E uma mulher, que nem torcedora era, teve três dedos amputados após ser atingida por uma bomba caseira em um dos 36 ônibus que foram atacados naquela noite. E eu aposto que, se derem uma pesquisada melhor, vão descobrir que, depois das finais do Brasileirão, ocorreram muito mais casos de violência espalhados por aí, só que, como não foram tão concentrados, não apareceram tanto na mídia quanto aqueles lá de Curitiba.

Eu, por mim, começava a imprimir, atrás dos bilhetes de entrada para os estádios de futebol, uma mensagem que nem aquelas que têm nos cigarros. Tipos “O Ministério da Saúde adverte: assistir jogos de futebol pode causar traumatismo craniano” ou até mesmo alguma coisa mais radical, como, por exemplo, “O Ministério da Saúde adverte: futebol faz mal à saúde”.

E aí é só esperar o Serra se eleger presidente e proibir jogos de futebol em ambientes públicos por todo o Brasil. Não seria uma idéia tão má assim, hem?

contra um nazista não é violência
06/12/2009

O Caetano Veloso uma vez falou que, quando ele está nos Estados Unidos ou na Europa, é chamado de mulato. E que no Brasil, na África e na maioria dos países latinos, ele é considerado branco. O que quer dizer que as coisas, incluindo aí até as cores, podem variar muito, não pela simples mistura de tons, mas conforme o estado de quem a vê.

Agora mesmo, nos Estados Unidos, eles fizeram uma pesquisa com a população para saber de que cor eles achavam que o presidente Obama era. E o resultado foi bem esquisito, para dizer o mínimo. Segundo a Folha de S.Paulo, “a maneira como o eleitor enxerga o candidato está diretamente ligada à sua intenção de voto”. Na prática, a pesquisa indica que as pessoas que votaram no Obama achavam que ele era mais clarinho do que os que não votaram nele, o que não apenas reitera a tese do Caetano, como demonstra também um evidente racismo até no americano que votou no presidente, já que eles acham que o Obama é “mais branquinho” do que realmente é.

Essas coisas me vieram à cabeça depois que assisti a um filme do Quentin Tarantino outro dia desses, no cinema. No filme, que se passa durante a segunda guerra mundial, um grupo de militares americanos vai para a Alemanha para matar nazistas. Simples assim. Eles não tinham planos, nem metas, nem objetivos concretos. Eles só iam lá matar nazistas. E é o que eles fazem durante todo o filme, e com requintes de crueldade.  Para não estragar o final para vocês, que é realmente surpreendente, vou só contar apenas que uma das únicas regras do tal grupo era escalpelar todos os nazistas que eles matavam. Isso mesmo. Escalpelar.  Depois de torturar os nazistas até a morte, eles ainda tiravam o escalpo dos caras para levar para a casa como lembrança, igual os índios apaches faziam. Pode parecer assim, à primeira vista, que o filme é horrível. Bem, ele não é. Aliás, mesmo nessas cenas mais violentas, a gente não se sente tão horrorizado assim. Eu, pelo menos, muitas vezes me peguei até rindo e pensando que esses nazistas mereciam era coisa pior.

O que nos faz voltar para o começo dessa crônica. Assim como a cor da pele e o racismo, a violência também depende do ponto de vista de quem vê. Afinal, quem é que não gostaria de ter a chance de dar um bom pontapé no traseiro do Hitler? E quem é que, em sã consciência, tem coragem de condenar um pai por ele tirar o escalpo do assassino de seu filho?

E o que eu quero dizer com isso tudo? Sei lá. Talvez que a vida seja muito complicada para estar nas mãos de políticos e advogados.

Toda paixão acaba em crime
03/12/2009

Quando estou cansado, bem cansado mesmo, eu assisto uma partida de futebol.

E não é porque eu adore futebol. Não, não tem nada a ver com isso. Muito pelo contrário. Dez minutos depois da partida começar, eu já estou no mais profundo sono. Uma partida de futebol, para mim, tem o mesmo efeito de um copo de leite quente, ou de um sonífero, ou de um Prozac, ou de tudo isso junto. Durmo de sonhar mesmo. De babar no travesseiro. E isso acontece até quando o time pelo qual eu torço está ali, disputando a partida mais importante de sua história. Para você ver só uma coisa, lembra aquele jogo, que o Brasil perdeu para a França, na última Copa do Mundo? Então. Eu dormi. Só fiquei sabendo do resultado uma ou duas horas depois, pela internet, e foi lá também que eu vi aquele lance do Roberto Carlos arrumando a chuteira enquanto os caras faziam um gol.

Então, provavelmente por essa minha total incapacidade de assistir a noventa minutos de um jogo de futebol, tem umas coisas que acontecem por aí que eu realmente não consigo compreender. Como essa onda de violência contra o time do Palmeiras, por exemplo. O que será que se passa na cabeça de um torcedor quando ele apedreja um ônibus cheio de gente, especialmente quando este ônibus está levando os jogadores do time para o qual ele mesmo torce? E o que diabos pensaram esses três caras que resolveram espancar o Vagner Love numa agência bancária, lugar onde cada um devia estar cuidando de sua própria vida privada? Para mim, isso ultrapassa qualquer medida de bom senso, mesmo se levar em conta essa tal de “paixão que todo brasileiro tem pelo futebol”.

Até mesmo porque o Palmeiras não está nem tão mal na tabela. Entre os vinte concorrentes ao título, se não for o campeão, ele deve ficar aí, no máximo, no máximo, em terceiro ou quarto lugar, o que não é, nem de longe, uma vergonha nacional ou uma demonstração de falta de empenho da equipe.

É por causa dessas coisas que eu não gosto muito de esportes. Tudo bem que, segundo uns médicos, a prática de exercícios físicos traga benefícios à saúde e tudo o mais. Mas os esportes, de uma maneira geral, desenterram na gente aquele instinto primitivo de homem das cavernas que demoramos milênios para enterrar.

Eu, da minha parte, prefiro dormir.

Obrigado meu Deus pela Propina Recebida. Amém.
01/12/2009

A maior novidade dessa história do mensalão lá de Brasília nem foi aquela dinheirama toda.

Tudo bem que as imagens daqueles caras enfiando notas de cem no bolso das calças, das camisas e até nas meias foram cenas chocantes. Nós, pobres mortais, sempre ficamos mais ou menos abismados quando nos deparamos com um maço de notas de cem. Parece coisa de filme de gangster, de traficante, sei lá. Eu, por exemplo, sou tão mal acostumado com notas de cem que, outro dia desses, ao receber um pagamento, confundi uma nota de cem com uma de dois reais, que tem mais ou menos a mesma cor. Se não fosse a honestidade do dono da padaria, eu teria pago quatrocentos reais num maço de cigarro, e só ia acabar percebendo uns dois dias depois, quando fosse fazer o depósito. E aí, blau blau.

Mas, vamos ser sinceros. Com essas cenas de políticos recebendo um monte de dinheiro vivo nós já estamos mais ou menos acostumados. Volta e meia aparece uma coisa dessas, desde a época do mensalão. Ou daquele outro… Aquele, que levava dinheiro na cueca, lembra? E daquela vez que tiraram uma foto de um monte de dinheiro, que ia ser usado pelo PT para comprar um dossiê contra o Serra ou coisa assim, lembra? Então. Se ficasse só nas cenas de um fulano recebendo dinheiro de outro , esse rolo do governador de Brasília não iam ter muita novidade. Pilhas de dinheiro filmadas ou fotografadas se tornaram carne de vaca na capital brasileira, e nem iam chamar tanto a atenção da imprensa e da população.

A novidade de verdade desse caso ficou por canta daquela cena de alguns deles rezando, agradecendo a Deus pelo dinheiro recebido. No vídeo, o deputado Rubens César Brunelli,  o atual presidente da Câmara, Leonardo Prudente e o ex-policial e ex- secretário do governo de José Arruda, Durval Barbosa (este último o denunciante do esquema) se abraçam e realizam uma longa oração. Um deles, inclusive, assumindo seus pecados, dizendo que “Sabemos que somos falhos, somos imperfeitos… mas somos gratos por essa benção em nossas vidas” sendo que a “benção”, no caso, era um baita maço de notas de cem e cinqüenta reais, devidamente embolsadas por cada um deles.

Só me faltava essa agora. Rezar agradecendo a propina. Mas é muita cara de pau, não é não?