Ai que saudades das reivindicações de antigamente

Outro dia desses, teve uma passeata de mulheres em Porto Alegre.

Fazia tempo que eu não ouvia falar de uma passeata de mulheres. Quando eu era moleque, isso era mais ou menos comum. Era um tempo em que as mulheres que trabalhavam fora não eram lá muito bem vistas pela sociedade. É sério. Eu sou desse tempo. E, naquele tempo, mulheres desquitadas também não eram muito bem vistas. Pelo menos, pelas outras mulheres. Os homens, por sua vez, diziam para suas mulheres e para seus filhos que as mulheres desquitadas não eram bem vistas, mas eles viam muito bem as mulheres desquitadas, com as quais sempre imaginavam que tinham chance de alguma aventura ou coisa assim. Bem, mas isso já é outro assunto.

O lance é que as mulheres, em determinado momento, passaram a exigir os seus direitos. A Leila Diniz foi de biquini para a praia, com seu barrigão de mãe solteira ali, todo de fora, para quem quisesse ver. Outras, foram para a praça pública queimarem seus sutiãs. E, ainda outras, fizeram manifestações pelo seu direito de receber os mesmos salários que os homens. E, muitas outras se juntaram aos homens e saíram às ruas para repudiarem a ditadura.

Hoje, olhando para trás, a gente vê que elas conseguiram a maioria de suas reivindicações. Embora aqui e ali ainda surjam casos de salários desiguais, violência doméstica e coisas assim, ninguém pode negar que as coisas melhoraram bastante para o lado das mulheres e, provavelmente por causa disso mesmo, as passeatas e manifestações pelas causas femininas foram minguando, minguando, até a gente não ouvir mais falar delas.

E ficou assim até essa semana agora, quando umas mulheres saíram às ruas de Porto Alegre. Exibindo cartazes e faixas, o grupo de manifestantes femininas  percorreu as ruas do centro da capital gaúcha, novamente lutando por seus direitos. No caso, o direito de tomar banho de sol nessas câmaras de bronzeamento artificial. É, isso mesmo que você leu. Sob o argumento de que o uso das câmaras de bronzeamento eleva o risco de câncer de pele, a ANVISA proibiu as tais câmaras em todo o Brasil desde o dia 11 de novembro passado, o que causou a fúria da mulherada.

Sei lá. Não tenho nada contra as câmaras de bronzeamento artificial para quem tem direito de pagar por uma, e muito menos contras as mulheres de uma maneira geral.

Mas eu morro de saudades das reivindicações de antigamente, viu.

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