Querida, eu não consigo mais ver meu joelho!

Você pode até achar que o grande problema do mundo é a fome. Que a fome é a maior tragédia do mundo contemporâneo, que é uma vergonha o número de crianças morrendo de fome pelo mundo afora, etc e tal.

Pois você está REDONDAMENTE enganado. O grande problema do mundo, atualmente, é a obesidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, 55% dos adultos são imensamente gordos, que é como se chamava os obesos antigamente. E, entre as crianças, uma em cada cinco também está bem acima do peso.  Agora, se você pensa que isso só acontece nos Estados Unidos e nesses países mais ricos, também errou. Nauru, uma ilhinha perdida no meio do Oceano Pacífico, é o lugar do mundo que tem mais gordos, algo em torno de 80% da população. E o Brasil não fica atrás. Apesar de convivermos com tantas favelas, secas no nordeste e milhares de moradores de rua, 40% dos brasileiros e brasileiras já não conseguem ver direito o que está acontecendo com seus pés. É, isso mesmo. 40% dos brasileiros são gordos, apesar de nenhum deles ou delas aparecer muito nas novelas da Globo.

E a questão nem é ficar bonitinho, com o corpitcho de um Rodrigo Santoro ou de uma Gisele Bündchen. Não. Obesidade é muito mais do que um problema com a aparência. É um perigo para a saúde. Milhares de mortes relacionadas à obesidade acontecem todos os anos, incluindo diabetes, doenças no coração, pressão alta, infarto e até câncer.  Quer dizer, um cara gordo, além de sofrer a vida inteira com apelidos como baleia, leitão e gordo-pipa, e de ser sempre o último a ser escolhido para o time de futebol na escola, ainda corre o risco de morrer mais cedo, perdendo várias festas de casamento e outras boquinhas livres.

A coisa está tão feia que a Organização Mundial da Saúde – OMS já considera a obesidade um dos dez principais problemas de saúde pública do mundo, classificando-a como epidemia.

É realmente inacreditável, não é? A gente fica pensando naquelas criancinhas morrendo de fome na África, com as costelas à mostra e olhos fundos, procurando comida no meio do lixo, cercadas de mosquitos e urubus e…

– Pombas. Pára com isso. Eu perdi até a fome!

– Desculpa aí.

– Tudo bem. Vamos pagar a conta e ir embora.

– Então você não vai comer esse último pedaço de picanha aqui?

– Não, não vou…

– Posso pegar?

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