Estamos Feitos

 

A coisa toda soa tão absurda que eu me recusei a comentar sobre ela. Mas não aguentei muito tempo. É sobre esse negócio que aconteceu com aquela universitária, que foi quase linchada porque ousou usar uma mini saia cor-de-rosa dentro da Uniban.

Aliás, guardem bem esse nome: UNIBAN, Universidade Bandeirantes. Daqui uns anos, provavelmente, a gente vai ficar sabendo que algum maníaco assassino, um banqueiro inescrupuloso ou algum tesoureiro de campanha se formou nessa grande instituição de ensino.

Mas o que é isso, gente? O que aconteceu naquele lugar beirou o fanatismo religioso típico daqueles grupos radicais do Oriente Médio que de vez em quando jogam aviões em cima de prédios ou se explodem em shoppings centers. Ou então algumas atitudes dos Nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Só que, com esse pessoal, a gente já está até que meio acostumado. Na história da civilização, volta e meia aparecem uns líderes malucos que resolvem estender sua maluquês para toda a população de um país, e acabam causando grandes guerras e catástrofes.

Mas o que me espanta mesmo é que esse negócio com a universitária tenha acontecido no Brasil. Pense bem. O Brasil é conhecido mundialmente por o quê? Por suas freiras? Por suas bibliotecas? Por suas maravilhosas Orquestras Sinfônicas? Por seus casacos de pele? Não. O Brasil é conhecido no mundo todo por suas mulatas, devidamente trajadas com seus respectivos fios dentais.

Aliás, eu acho que o nosso fio dental é até mais famoso que as próprias mulatas. Pode ser loira, índia, negra ou japonesa. Se estiver de fio dental, tá bom.

A família brasileira já está tão acostumada com essa “quase nudez”, que às vezes me parecia que estávamos mesmo na vanguarda mundial, como insiste o Lula. Se não, como explicar que, em pleno domingo à tarde, o programa de maior ibope da TV mostre um bando de dançarinas deliciosas, enfiadas dentro de collants apertadíssimos, se rebolando para a câmera? E que no segundo canal mais assistido do país, esteja passando a mesma coisa? Dava até a impressão que, no início desse novo século, o Brasil, finalmente, estava se libertando de todas as amarras religiosas e tradicionalistas para, enfim, se tornar uma nação alegre, festiva e totalmente livre de preconceitos tolos.

E aí, uma aluna vai para aula num vestidinho cor-de-rosa e é praticamente apedrejada por seus próprios colegas? Oras, faça-me o favor. Como já disse o Caetano Veloso, lá pelos anos sessenta, se é essa juventude que vai assumir o poder daqui uns anos, estamos feitos.

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