Mais seguro é

Assisti, há poucos dias, um filme com o Bruce Willis com um roteiro bem legal. Era assim. Os homens foram aperfeiçoando os robôs até chegarem num grau de qualidade que as máquinas já conseguiam fazer tudo o que o homem fazia, menos pensar. E, se você pensar bem, é verdade. Fazer um robô andar, correr, dançar, isso tudo até que é bastante fácil. Já existem até uns andróides por aí, que fazem algo parecido. O difícil mesmo é reproduzir o que um cérebro humano faz. Imaginar. Criar. Se emocionar. Essas coisas. Então, o que os caras do filme fizeram foi conectar o cérebro humano ao corpo de um robô. Os olhos do robô eram umas espécies de câmeras que enviavam as imagens diretamente para o cérebro. Os ouvidos, a mesma coisa. E, conforme os robôs foram se modernizando, até as sensações sexuais conseguiam ser transmitidas para o cérebro conectado.

Sei que chegou uma época em que o cara podia ficar deitadão em casa, bem tranqüilo e, ao mesmo tempo, sair andando por aí no corpo de um robô sem ninguém perceber. Se alguma coisa acontecesse com o robô, não tinha problema. Era só trocar de equipamento e pronto. A coisa deu tão certo que ninguém mais saía de casa, e todo mundo passou a ter seu robô particular. Primeiro nos Estados Unidos, depois no mundo inteiro. As pessoas se trancavam, sem fazer nada o dia todo. Foram engordando feito porcos, ficando com os músculos flácidos e cheios de doenças de pele e icterícias. Mas os seus robôs, não. Eles eram sempre bonitos e atraentes, e transavam como, quando e com quem queriam.

É claro que, uma hora, a coisa toda desanda, senão não tinha filme, mas eu não vou contar aqui o final porque também não sou nenhum estraga prazeres. O nome do filme é “Surrogates” (“Substitutos”, na tradução brasileira) e vale mesmo muito a pena ver, especialmente porque essa é daquelas ficções que não parecem tão longe de acontecer assim.  Se você olhar hoje mesmo aí, em sua volta, vai perceber que um bom bocado de nossos jovens já anda preferindo manter contato com seus amigos através de mensagens pelo celular, pelo Messenger ou pelo Orkut.

Já se fala bastante, inclusive, sobre as vantagens do sexo pela internet, usando webcams e microfones, que, segundo especialistas, nesses nossos tempos de pedofilia e AIDS, podem não trazer tanto prazer quanto a coisa ali, na vida real, mas que evidentemente é  muito mais seguro.

A menos, é claro, que você tenha idéias esquisitas sobre o uso do microfone.

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