Alguém ainda se lembra daqueles filtros de barro?

Nada contra a modernização. Muito pelo contrário. Acho que a modernização fez o mundo ficar bem melhor do que era. Eu fico tentando imaginar, por exemplo, como era o mundo antes da invenção da geladeira. Antes da geladeira, onde é que eles guardavam a compra do mês? E a carne que sobrou do almoço, o que é que eles faziam com ela? E a cerveja, meu deus do céu, e a cerveja? No entanto, a geladeira foi inventada há pouco mais de 150 anos, não faz tanto tempo assim. Quer dizer, fazer faz, mas, se você pensar bem, os meus avós, quando nasceram, muito provavelmente não tinham geladeira em casa e, quando morreram, não sabiam mais viver sem ela.

Só que tem umas coisas modernas que, ao mesmo tempo em que resolveram um problema, arrumaram outro. Uma das maiores invenções dos tempos modernos foi o telefone sem fio. Não o celular. O telefone mesmo, desses que a gente conecta a base numa caixinha na parede, e pode zanzar pela casa toda com o telefone grudado no ouvido. Antigamente, os telefones eram presos à base com um fio todo enrolado, que volta e meia se enroscava nele mesmo e ficava com uns nós, o que diminuía ainda mais o seu tamanho e a nossa capacidade de ficar andando para lá e para cá enquanto tentávamos convencer o vendedor da Abril que a gente não queria assinar a revista Veja. Mas, depois que inventaram o telefone sem fio, isso nos capacitou até a ir ao quintal, se quiséssemos, para dizer ao tal vendedor o que a gente achava da revista em que ele trabalhava e o que ele poderia fazer com a assinatura dela, sem ofender os ouvidos sensíveis das crianças que assistiam TV na sala. Então, o telefone sem fio foi mesmo uma grande invenção, e todo mundo colocou um em casa. Maravilha das maravilhas, certo? Errado. Acontece que, quando acaba a luz de casa, a gente fica também sem telefone, porque o danado precisa de energia elétrica para funcionar, coisa que não acontecia com aqueles telefones antigos.

Mas os problemas da modernização não acontecem só com essas coisas eletrônicas não. Elas acontecem também nas coisas mais simples. Veja bem. Quando eu nasci, na casa dos meus pais tinha daqueles filtros de barro, que a gente enchia de água da torneira e ela já saía filtrada, sempre fresquinha. A água simplesmente não acabava. Mas hoje, com esse negócio de a gente comprar água nesses galões azuis, a coisa se tornou um problema. Nesse feriadão, por exemplo, a água em casa acabou, e simplesmente não tinha uma droga de revenda de água aberta. Tive que comprar umas dez garrafas de água mineral para abastecer a família, o que não ficou uma fortuna, mas já daria aí, para comprar uma boa pizza.

Alguém aí sabe onde é que a gente acha daqueles filtros de barro para vender?

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