Archive for novembro \26\UTC 2009

Estou pouco ligando para o que você acha ou deixa de achar
26/11/2009

É engraçado como as pessoas ficam preocupadas com a maneira com que os outros as chamam, ou até mesmo como os outros chamam os outros.

Uma amiga minha, por exemplo, não gosta que a chamem de “esposa do fulano”, sendo que, no caso, fulano é mesmo o marido dela. Sabe quando a gente apresenta uma amiga e diz “- Marisa, essa é a Teresa. Teresa, essa é a Marisa, esposa do Adalberto”? Então. Ela odeia. Tudo bem. Eu entendo que as mulheres passaram por poucas e boas até conseguirem assim, a total independência dos maridos, algumas até passando do ponto e deixando os maridos totalmente dependentes delas, como é o meu caso, mas, convenhamos. Não precisa fazer esse escândalo todo também. Hoje em dia, quando a gente apresenta uma mulher como sendo a esposa de alguém, só quer dizer isso mesmo, que ela é esposa de alguém. A gente não quer dizer que ela é menos que o marido, ou que ela só faz parte daquela rodinha de amigos por causa do marido dela, nem qualquer coisa do tipo. Porque se alguém quiser me apresentar para alguém como “Olha, esse é o Artur, marido da Telma”, eu, sinceramente, não vejo nada demais, afinal, eu sou mesmo o marido da Telma, oras, o que se há de fazer?

Aliás, essa mania de não gostar de ser chamado de uma coisa que você é já causou muita confusão por aí. E ainda vai causar. Por exemplo. Hoje em dia, você não pode mais chamar um preto de preto. Tem que chamar de negro.  Agora, alguém aí na platéia poderia me explicar qual é a diferença entre preto e negro? Ainda, se exigissem um termo como “afro-americano”, ou coisa parecida, talvez eu até entendesse, já que “afro-americano” nos traz à lembrança o triste fato de que os africanos não vieram parar aqui por essas bandas porque quiseram, mas porque foram trazidos à força de sua terra natal.

E homossexual então? Tem uns homossexuais, muitos deles até assumidos, que ficam bravos quando alguém fala em público que eles são… homossexuais! Mas, oras bolas. Qual é o problema de ser chamado de homossexual se você é? E mesmo se não for, qual é a diferença? Se um sujeito me chamar de homossexual, ou até mesmo desses outros termos que, se usados, pode até dar cadeia, capaz até de eu dar um beijo na boca do cara no meio da rua, só para ele ver como eu estou preocupado com a opinião que ele tem sobre a minha vida sexual.

O que eu acho é que as pessoas andam dando muita importância para o que os outros falam delas, e muito pouca importância em realmente ser alguém.

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Ai que saudades das reivindicações de antigamente
24/11/2009

Outro dia desses, teve uma passeata de mulheres em Porto Alegre.

Fazia tempo que eu não ouvia falar de uma passeata de mulheres. Quando eu era moleque, isso era mais ou menos comum. Era um tempo em que as mulheres que trabalhavam fora não eram lá muito bem vistas pela sociedade. É sério. Eu sou desse tempo. E, naquele tempo, mulheres desquitadas também não eram muito bem vistas. Pelo menos, pelas outras mulheres. Os homens, por sua vez, diziam para suas mulheres e para seus filhos que as mulheres desquitadas não eram bem vistas, mas eles viam muito bem as mulheres desquitadas, com as quais sempre imaginavam que tinham chance de alguma aventura ou coisa assim. Bem, mas isso já é outro assunto.

O lance é que as mulheres, em determinado momento, passaram a exigir os seus direitos. A Leila Diniz foi de biquini para a praia, com seu barrigão de mãe solteira ali, todo de fora, para quem quisesse ver. Outras, foram para a praça pública queimarem seus sutiãs. E, ainda outras, fizeram manifestações pelo seu direito de receber os mesmos salários que os homens. E, muitas outras se juntaram aos homens e saíram às ruas para repudiarem a ditadura.

Hoje, olhando para trás, a gente vê que elas conseguiram a maioria de suas reivindicações. Embora aqui e ali ainda surjam casos de salários desiguais, violência doméstica e coisas assim, ninguém pode negar que as coisas melhoraram bastante para o lado das mulheres e, provavelmente por causa disso mesmo, as passeatas e manifestações pelas causas femininas foram minguando, minguando, até a gente não ouvir mais falar delas.

E ficou assim até essa semana agora, quando umas mulheres saíram às ruas de Porto Alegre. Exibindo cartazes e faixas, o grupo de manifestantes femininas  percorreu as ruas do centro da capital gaúcha, novamente lutando por seus direitos. No caso, o direito de tomar banho de sol nessas câmaras de bronzeamento artificial. É, isso mesmo que você leu. Sob o argumento de que o uso das câmaras de bronzeamento eleva o risco de câncer de pele, a ANVISA proibiu as tais câmaras em todo o Brasil desde o dia 11 de novembro passado, o que causou a fúria da mulherada.

Sei lá. Não tenho nada contra as câmaras de bronzeamento artificial para quem tem direito de pagar por uma, e muito menos contras as mulheres de uma maneira geral.

Mas eu morro de saudades das reivindicações de antigamente, viu.

Querida, eu não consigo mais ver meu joelho!
22/11/2009

Você pode até achar que o grande problema do mundo é a fome. Que a fome é a maior tragédia do mundo contemporâneo, que é uma vergonha o número de crianças morrendo de fome pelo mundo afora, etc e tal.

Pois você está REDONDAMENTE enganado. O grande problema do mundo, atualmente, é a obesidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, 55% dos adultos são imensamente gordos, que é como se chamava os obesos antigamente. E, entre as crianças, uma em cada cinco também está bem acima do peso.  Agora, se você pensa que isso só acontece nos Estados Unidos e nesses países mais ricos, também errou. Nauru, uma ilhinha perdida no meio do Oceano Pacífico, é o lugar do mundo que tem mais gordos, algo em torno de 80% da população. E o Brasil não fica atrás. Apesar de convivermos com tantas favelas, secas no nordeste e milhares de moradores de rua, 40% dos brasileiros e brasileiras já não conseguem ver direito o que está acontecendo com seus pés. É, isso mesmo. 40% dos brasileiros são gordos, apesar de nenhum deles ou delas aparecer muito nas novelas da Globo.

E a questão nem é ficar bonitinho, com o corpitcho de um Rodrigo Santoro ou de uma Gisele Bündchen. Não. Obesidade é muito mais do que um problema com a aparência. É um perigo para a saúde. Milhares de mortes relacionadas à obesidade acontecem todos os anos, incluindo diabetes, doenças no coração, pressão alta, infarto e até câncer.  Quer dizer, um cara gordo, além de sofrer a vida inteira com apelidos como baleia, leitão e gordo-pipa, e de ser sempre o último a ser escolhido para o time de futebol na escola, ainda corre o risco de morrer mais cedo, perdendo várias festas de casamento e outras boquinhas livres.

A coisa está tão feia que a Organização Mundial da Saúde – OMS já considera a obesidade um dos dez principais problemas de saúde pública do mundo, classificando-a como epidemia.

É realmente inacreditável, não é? A gente fica pensando naquelas criancinhas morrendo de fome na África, com as costelas à mostra e olhos fundos, procurando comida no meio do lixo, cercadas de mosquitos e urubus e…

– Pombas. Pára com isso. Eu perdi até a fome!

– Desculpa aí.

– Tudo bem. Vamos pagar a conta e ir embora.

– Então você não vai comer esse último pedaço de picanha aqui?

– Não, não vou…

– Posso pegar?

Mas que calor está fazendo lá fora…
19/11/2009

Quando eu falava que a vida era um inferno, e que a tendência era piorar, não era exatamente isso que eu estava querendo dizer. Mas serve. Meu deus do céu. Que calor que anda fazendo. A água já sai quente das torneiras. A sombra das árvores está quente.  Até mesmo a chuva, quando cai, cai quente. Só para você ver uma coisa, outro dia desses eu fui fazer uma mamadeira para o meu neto e acabei esquecendo  o leite um pouco mais no fogo, e ele acabou fervendo. Então, eu coloquei a leiteira em cima da pia para o leite esfriar um pouco. De vez em quando, eu ia lá, pegava uma colher, colocava um pouquinho de leite no meu pulso (aprendi o truque com a minha mãe) para ver se já estava no ponto. E não estava. Ainda estava quente. Muito quente. Capaz até de fazer bolhas na boca do nenê. Passou mais ou menos umas duas horas, e eu desisti. A impressão que eu tinha era que o leite ali, deixado à temperatura ambiente, estava mais era esquentando, se você quer saber. Acabei por enfiar a caneca no freezer e, enquanto esperava, cogitei seriamente em pegar meu travesseiro e entrar ali dentro também.

Mas, pior que essa quentura toda, é ter de aguentar todo mundo que entra no escritório reclamando do calor. Não sei se é falta de assunto, ou o que é. Mas não tem um que não entre por aquela maldita porta e não comece a conversa com um “- Mas que calor está fazendo lá fora!”.  Outro dia desses eu não aguentei. Foi uma vendedora entrar e começar a reclamar “- Mas que calor está fazendo lá fora!” que eu respondi assim, de bate pronto “- Ué, aqui a gente não está sentindo não, será que não é você que está na menopausa?”.

E esse é um dos problemas do calor. A gente fica extremamente irritado. Não sei se existe alguma pesquisa a respeito, mas eu aposto que no verão o número de brigas, agressões e assassinatos deve aumentar exponencialmente a cada grau que os termômetros sobem. Tanto é que, quando alguém pensou num lugar onde todos os pecados da humanidade seriam devidamente penitenciados, imaginou um lugar muito quente, com fogueiras, lava de vulcão e muito óleo fervente sendo derramado. Um lugar extremamente quente.

Um verdadeiro inferno.

A Entrevista
17/11/2009

Não sei bem o porquê, mas volta e meia aparece um estudante querendo me entrevistar. É uma coisa que sempre me deixa nervoso esse negócio de entrevista, mas sempre que dá, eu tento aceitar o convite. Afinal de contas, tem muita gente que paga caro para um psicólogo ou um psicanalista passar uma hora ali, ouvindo suas queixas e opiniões, e esses entrevistadores fazem isso por mim, na varanda de minha própria casa e, o melhor de tudo: totalmente de graça!

Outra parte boa desse negócio de dar entrevista sobre a gente mesmo é que, normalmente, a primeira pergunta a gente sempre acerta. Isso porque os caras, invariavelmente, começam perguntando o nosso nome completo e onde a gente nasceu, dados que, geralmente, eu tenho ali, na ponta da língua. Alguns, mais indiscretos, perguntam também nossa idade, o que, dependendo de nosso estado de ânimo pode causar alguma confusão, mas que também não deixa de ser uma pergunta bastante simples, e uma rápida conferida em nosso RG já basta para tirar qualquer dúvida a respeito.

A partir daí, as coisas costumam ficar um pouco mais complicadas. Depois do nome, idade e local de nascimento, eles querem saber quando foi que eu comecei a escrever para o jornal, fator importantíssimo para o sucesso da entrevista, já que foi só por causa disso que ele veio me entrevistar. Acontece que aí as lembranças ficam meio turvas. São coisas que aconteceram há quinze, vinte anos, entende? E coisas que aconteceram há quinze ou vinte anos começam a se misturar com as coisas que a gente foi inventando durante a vida, e com as coisas que lemos por aí, e com as coisas que gostaríamos de ter feito e não fizemos. E aí eu respondo que escrevo para o jornal já faz aí uns vinte anos, mas não com tanta certeza como quando ele perguntou o meu nome, a minha idade e a cidade em que eu nasci.

Nesse momento, quase sempre eu me levanto e digo que vou tomar um copo d’água. Ofereço um copo d’água para o entrevistador também. É um momento de folga, entende? Um tempinho para ambos recolocarmos nossas cabeças nos seus devidos lugares.

E aí vem o final da entrevista, na qual o entrevistador sempre pergunta onde é que eu arrumo assunto para tantas crônicas. E é quando eu respondo que é só prestar atenção à sua volta. Que, num momento que você está sem assunto, qualquer coisa pode virar uma crônica. Sua mãe cozinhando. O apagão. Seu netinho jogando bola.

– E até mesmo essa entrevista, entende?

Eu tenho medo de escuro
15/11/2009

Eu te digo uma coisa. Todo o progresso da humanidade se deve a um único motivo. O medo do escuro. É verdade. Se você pensar bem, vai perceber que a primeira conquista científica do ser humano foi o controle do fogo. O homem, antes disso, era só um macaquinho meio careca, que vivia sendo gozado pelos outros macacos, todos bastante peludos e invocados. Mas, depois que descobriu como controlar o fogo, o homem nunca mais foi o mesmo. Ele ficou metido e saiu por aí, criando cidades, viadutos e shopping centers. O lance é que todo mundo acha que essa encanação do homem com o fogo era só porque ele sentiu necessidade de assar ou cozinhar as batatas e o coxão-duro dos mamutes. Mas não tem nada a ver. O homem queria controlar o fogo porque ele morria de medo do escuro – e também porque ele precisava arrumar um jeito de iluminar o diabo daquela caverna que ele morava e vivia dando topadas com o dedo do pé na pedra da sala toda vez que se levantava de madrugada para fazer xixi.

E depois do fogo, qual foi o próximo passo do homem em direção ao progresso? Foi a eletricidade. Tudo bem, você pode dizer que o homem inventou a roda antes da eletricidade, e que a roda também mudou o rumo das coisas. Pois eu digo que não mudou. A roda só acelerou as coisas, entende? Com a roda, nós passamos a andar mais rápido, mas continuamos a fazer mais ou menos as mesmas coisas que fazíamos antigamente. Mas o fogo e a eletricidade não. Essas coisas MUDARAM o comportamento humano. Com o fogo, o homem podia dormir mais tarde, por exemplo, e em vez de ir para a cama junto com o pôr do sol, ele podia dar umas voltas pelo bairro para dar uma desanuviada nas idéias. E com a eletricidade então, nem se fale. A eletricidade mudou a face da Terra. Olha só quanta coisa depende da eletricidade para funcionar. Só que, primeiro, surgiu a lâmpada. E por que a lâmpada, e não o liquidificador? Ou o microondas? Oras, por causa do medo do escuro. Para mim, é bastante óbvio que o homem inventou a eletricidade só para ligar a lâmpada. As outras coisas foram apenas um lucro extra e…

– Tudo bem, querido. Mas acho que três pacotes de vela está bom.

– Nunca se sabe. Fiquei sabendo que as luzes se apagaram de novo no Rio, outro dia desses…

– Tá, então pega mais um pacote e vamos embora.

– E as pilhas? Você já pegou as pilhas para as lanternas?

3 hipóteses sobre o apagão e uma piada do tweeter
12/11/2009

Foram os Estados Unidos

Os Estados Unidos, como é de conhecimento de todo o planeta, estão vivendo uma baita crise financeira e de identidade. Seu poder sobre o mundo está diminuindo quase tão rapidamente quanto o extrato bancário dos seus contribuintes. E, para ajudar, os Estados Unidos perderam a disputa pelas Olimpíadas para o… Brasil! Eles devem estar inconformados. Como é que pode perder uma disputa dessas para um paisinho de terceiro mundo, cuja população até outro dia desses ainda almoçava padres nas florestas amazônicas? Existe, então, a hipótese de que seus aliados tenham espalhado bombas em alguns pontos do sistema elétrico brasileiro e, encobertos pelo tumulto de um apagão, começassem a divulgar pelo tweeter que o Brasil não tem condições técnicas para uma competição desse naipe.

Foi o Fernandinho Beira-Mar

Não sei se você viu, mas justo no dia do apagão, ou um dia antes, o Fernandinho Beira-Mar estava sendo transportado para lá e para cá, lá em Campo Grande, para ser julgado por alguns de seus crimes. Existe, então, a hipótese de que seus aliados tenham espalhado bombas em alguns pontos do sistema elétrico brasileiro e, encobertos pelo tumulto de um apagão, facilitassem uma operação de resgate do facínora. Contra essa hipótese está o fato de que o Fernandinho continua lá, preso, mas talvez o que tenha acontecido é que a coisa toda estourou um pouco antes, ou um pouco depois, e o Fernandinho já estava bem trancado quando as luzes se apagaram. Bem, pode não ser uma boa hipótese, mas que é um grande roteiro de filme, é.

Foi o José Serra

Tudo bem. O José Serra está aparecendo em primeiro lugar com folga em todas as pesquisas sobre a intenção de voto para presidente. Mas o José Serra é um homem esquisito. Aquelas olheiras dele me dão a impressão de que ele está maquiado para fazer o papel de zumbi num filme do George Romero. E ele fez aquela lei anti-fumo, passando por cima da constituição e dos nossos direitos individuais. Quer dizer, o homem acha que pode salvar o país. Talvez até mesmo o mundo. E que, para atingir seus fins, não importam os meios. Existe, então, a hipótese de que seus aliados tenham espalhado bombas em alguns pontos do sistema elétrico brasileiro e, encobertos pelo tumulto de um apagão, comecem a fazer uma campanha dizendo que o governo Lula não deu a atenção necessária para o sistema elétrico brasileiro e tudo o mais. Aliás, a gente já está até ouvindo umas conversas sobre isso. É para se pensar.

Foi Itaipu

Diz a lenda que, no dia do apagão, quando os funcionários de Itaipu estavam saindo, gritaram para o estagiário lá dentro: – Quando sair, não esquece de apagar a luz!

Estamos Feitos
10/11/2009

 

A coisa toda soa tão absurda que eu me recusei a comentar sobre ela. Mas não aguentei muito tempo. É sobre esse negócio que aconteceu com aquela universitária, que foi quase linchada porque ousou usar uma mini saia cor-de-rosa dentro da Uniban.

Aliás, guardem bem esse nome: UNIBAN, Universidade Bandeirantes. Daqui uns anos, provavelmente, a gente vai ficar sabendo que algum maníaco assassino, um banqueiro inescrupuloso ou algum tesoureiro de campanha se formou nessa grande instituição de ensino.

Mas o que é isso, gente? O que aconteceu naquele lugar beirou o fanatismo religioso típico daqueles grupos radicais do Oriente Médio que de vez em quando jogam aviões em cima de prédios ou se explodem em shoppings centers. Ou então algumas atitudes dos Nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Só que, com esse pessoal, a gente já está até que meio acostumado. Na história da civilização, volta e meia aparecem uns líderes malucos que resolvem estender sua maluquês para toda a população de um país, e acabam causando grandes guerras e catástrofes.

Mas o que me espanta mesmo é que esse negócio com a universitária tenha acontecido no Brasil. Pense bem. O Brasil é conhecido mundialmente por o quê? Por suas freiras? Por suas bibliotecas? Por suas maravilhosas Orquestras Sinfônicas? Por seus casacos de pele? Não. O Brasil é conhecido no mundo todo por suas mulatas, devidamente trajadas com seus respectivos fios dentais.

Aliás, eu acho que o nosso fio dental é até mais famoso que as próprias mulatas. Pode ser loira, índia, negra ou japonesa. Se estiver de fio dental, tá bom.

A família brasileira já está tão acostumada com essa “quase nudez”, que às vezes me parecia que estávamos mesmo na vanguarda mundial, como insiste o Lula. Se não, como explicar que, em pleno domingo à tarde, o programa de maior ibope da TV mostre um bando de dançarinas deliciosas, enfiadas dentro de collants apertadíssimos, se rebolando para a câmera? E que no segundo canal mais assistido do país, esteja passando a mesma coisa? Dava até a impressão que, no início desse novo século, o Brasil, finalmente, estava se libertando de todas as amarras religiosas e tradicionalistas para, enfim, se tornar uma nação alegre, festiva e totalmente livre de preconceitos tolos.

E aí, uma aluna vai para aula num vestidinho cor-de-rosa e é praticamente apedrejada por seus próprios colegas? Oras, faça-me o favor. Como já disse o Caetano Veloso, lá pelos anos sessenta, se é essa juventude que vai assumir o poder daqui uns anos, estamos feitos.

gente nasceu para comer picanha
07/11/2009

A vida anda ficando cada dia mais chata. Não sei direito explicar o que é. Quando eu percebi, a gente já estava vivendo num mundo esquisito, em que as pessoas, apesar de tomarem posições muitas vezes até bastante sensatas, são de uma chatice insuportável.

Não pode mais soltar balão porque causam incêndios. Não pode mais empinar pipa porque os fios podem se enroscar nas gargantas dos motociclistas. Está tudo certo, é claro. Quem é que pode ser contra uma atitude que evita os incêndios? E quem é que pode ser a favor da decapitação dos motociclistas? Mas que a vida das crianças se tornou bem mais chata depois que eles proibiram essas coisas, isso ficou. E não é só com as crianças, não. Veja você aí o caso deses caras que, quando completam quarenta e cinco anos, resolvem ser saudáveis.

Os caras que resolvem ser saudáveis tomam atitudes drásticas em suas vidas. Como, por exemplo, levantar um dia com a extravagante idéia de começar a correr dez quilômetros por dia, seguido de uma série de oitenta abdominais. Bem, ninguém pode negar que essa não é uma posição bastante radical, especialmente para quem, até outro dia desses, considerava trocar o canal da TV extremamente cansativo. O problema é que esse tipo de coisa pode se tornar uma obsessão. O cara passa a recusar a cervejinha do fim do expediente e começa a frequentar uma academia. Almoça só alface, brócolis e uma mistura de aveia com semente de linhaça. Porque tem fibras.

Olha. Tudo bem que as fibras devem ser aí muito boas para o funcionamento de nossos intestinos e tudo o mais. Mas você já experimentou semente de linhaça? Pois, se não experimentou, acredite em mim. Semente de linhaça não foi feita para ser ingerida. Pelo menos, pelo ser humano não. Talvez pelos passarinhos. Semente de linhaça é uma coisa que a gente fica mastigando mais ou menos durante umas duas horas e, depois que consegue engolir, descobre, surpreso, que não sentiu gosto de absolutamente nada. E isso sem contar que, quinze minutos depois, você está com fome de novo. Vá lá. Não sejamos radicais. Linhaça pode até ser considerada uma espécie de comida. Mas é uma comida absolutamente chata.

Chata como essa lei anti-fumo. É uma dessas leis que não dá para ser contra. Além de aliviar nosso sobrecarregado Sistema de Saúde, não tem como lutar contra o argumento de que as pessoas viverão muito mais se deixarem de fumar.

Mas, convenhamos. Quem é que quer viver mais num mundo chato como esse?

Mais seguro é
05/11/2009

Assisti, há poucos dias, um filme com o Bruce Willis com um roteiro bem legal. Era assim. Os homens foram aperfeiçoando os robôs até chegarem num grau de qualidade que as máquinas já conseguiam fazer tudo o que o homem fazia, menos pensar. E, se você pensar bem, é verdade. Fazer um robô andar, correr, dançar, isso tudo até que é bastante fácil. Já existem até uns andróides por aí, que fazem algo parecido. O difícil mesmo é reproduzir o que um cérebro humano faz. Imaginar. Criar. Se emocionar. Essas coisas. Então, o que os caras do filme fizeram foi conectar o cérebro humano ao corpo de um robô. Os olhos do robô eram umas espécies de câmeras que enviavam as imagens diretamente para o cérebro. Os ouvidos, a mesma coisa. E, conforme os robôs foram se modernizando, até as sensações sexuais conseguiam ser transmitidas para o cérebro conectado.

Sei que chegou uma época em que o cara podia ficar deitadão em casa, bem tranqüilo e, ao mesmo tempo, sair andando por aí no corpo de um robô sem ninguém perceber. Se alguma coisa acontecesse com o robô, não tinha problema. Era só trocar de equipamento e pronto. A coisa deu tão certo que ninguém mais saía de casa, e todo mundo passou a ter seu robô particular. Primeiro nos Estados Unidos, depois no mundo inteiro. As pessoas se trancavam, sem fazer nada o dia todo. Foram engordando feito porcos, ficando com os músculos flácidos e cheios de doenças de pele e icterícias. Mas os seus robôs, não. Eles eram sempre bonitos e atraentes, e transavam como, quando e com quem queriam.

É claro que, uma hora, a coisa toda desanda, senão não tinha filme, mas eu não vou contar aqui o final porque também não sou nenhum estraga prazeres. O nome do filme é “Surrogates” (“Substitutos”, na tradução brasileira) e vale mesmo muito a pena ver, especialmente porque essa é daquelas ficções que não parecem tão longe de acontecer assim.  Se você olhar hoje mesmo aí, em sua volta, vai perceber que um bom bocado de nossos jovens já anda preferindo manter contato com seus amigos através de mensagens pelo celular, pelo Messenger ou pelo Orkut.

Já se fala bastante, inclusive, sobre as vantagens do sexo pela internet, usando webcams e microfones, que, segundo especialistas, nesses nossos tempos de pedofilia e AIDS, podem não trazer tanto prazer quanto a coisa ali, na vida real, mas que evidentemente é  muito mais seguro.

A menos, é claro, que você tenha idéias esquisitas sobre o uso do microfone.