A Marcha Mundial pela Paz e pela Não-violência

Tudo bem. Eu também sou a favor da paz. Você não é a favor da paz? E sua mãe? E o seu pai? Pois então, todo mundo é a favor da paz. Acho que até mesmo esses terroristas por aí são a favor da paz. Eles só fazem essas coisas todas, de explodir e tudo o mais, porque acham que quem eles estão explodindo são a favor da guerra. Mas ninguém é a favor da guerra. No fundo de todas as guerras, está a esperança da vitória, e da paz. Mesmo Hitler e todos esses caras malucos que fizeram as maiores chacinas possíveis e imagináveis (algumas até inimagináveis). Esses caras tinham lá, na cabeça maluca deles, a idéia de que, logo depois da chacina, viria a paz. A paz é um consenso universal. Ninguém quer chegar em casa às seis da tarde e encontrar os filhos brigando um com o outro, a mulher irritada com a empregada ou o marido querendo assassinar seu chefe. As pessoas querem chegar em casa e encontrar seus filhinhos todos de banho tomado, assistindo um programa educativo da TV Cultura, quietinhos, cada um num canto do sofá e repartindo um saco de pipocas. As pessoas querem chegar em casa e encontrar a esposa e a empregada conversando sobre as experiências delas, e sonhando juntas um futuro promissor para seus filhos. E encontrar os maridos contentes por terem passado um dia tranquilo no escritório, e porque no final do expediente o patrão chamou todo mundo para tomar uma cervejinha e comer uns petiscos por conta da firma. É assim que todo mundo é, entende? Ninguém quer brigar com ninguém. Ou você acha que os jornalistas adoram ficar metendo o pau nos políticos? Pois não gostam. Eles só metem o pau nos políticos porque imaginam que, talvez, os políticos os ouçam e modifiquem seus comportamentos, de maneira que o país viva uma gloriosa e duradoura era de paz e harmonia. E mesmo os políticos. Tirando os pervertidos, os delinqüentes, enfim, todos esses caras que tem graves problemas mentais, os políticos também almejam a paz. Você acha, por um acaso, que algum político quer entrar para a história como um assassino sanguinário? Ou como um pérfido trapaceiro? Pois não quer. Todo político gostaria de se imortalizar como um pacifista, um reconciliador das diferenças, um…
– Olha, tudo bem, se você não quer ir para a Marcha Mundial pela Paz não precisa ir.
– Não é que eu não queira ir. Eu só acho que não adianta nada.
– Tudo bem, fica aí, então. Mas eu vou. Tchau.
– Benhê!
– O que foi?
– Na volta, traz um cigarro pra mim?

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