Todo mundo quer ser star

Eu não sei o que é que esse povo gosta tanto de aparecer. É o caso desse moleque aí, que supostamente teria voado num balão a mais de três mil pés de altitude (aliás, porque será que esse povo mede a altura de um “vôo” por “pés”? não devia ser por “asas” ou algo assim?).
Bem, agora descobriram que tinha tudo sido um plano do pai do garoto para gerar publicidade sobre… sobre… sobre o quê mesmo? E é aí que está. O pai desse moleque não tem nada que possa ser vendido, alugado ou usado. Ele é um cara meio amalucado, que vive caçando furacões pelos Estados Unidos, observando o céu em busca de OVNI’s e que já tinha participado de um desses reality shows em que duas famílias trocam de esposas por uma semana.
Quer dizer, o grande lance, hoje em dia, não é fazer nada que preste, nem ter uma idéia sensacional e muito menos inventar um novo sistema de despoluição das águas dos esgotos salvando o eco-sistema de uma catástrofe sem volta. Não. O grande lance é… ficar famoso.
Não que o americano não tenha conseguido algo parecido. Ele até que conseguiu. O balão no qual estaria seu filho foi perseguido por mais de cem quilômetros pela guarda nacional americana, sendo acompanhado ao vivo por inúmeras emissoras de TV de todo o planeta. Transformou-se também num fenômeno de comentários no twitter em todos os blogs da internet. Só que, cinco horas depois, o menino apareceu são e salvo na garagem de sua casa, onde, segundo a família, esteve o tempo todo.
O mundo inteiro coçou a cabeça, desconfiado. Bem, para falar a verdade, eu não sei do mundo todo. Eu, pelo menos, cocei a minha cabeça, desconfiado. Já faz alguns anos que eu deixei de acreditar na ingenuidade da humanidade. E não deu outra. Numa primeira investigação, a polícia já descobriu que o sonho do pai do garoto do balão era ter um programa só seu na televisão. Ele já tinha, inclusive, apresentado um projeto a uma rede americana, mas foi rejeitado. E não o foi à toa. Pelo jeito, o programa devia existir única e exclusivamente para que homem se mostrasse um pouco mais e que, provavelmente, só teria ele mesmo como audiência.
Esse, aliás, é o destino de 99% desses vídeos que as pessoas enviam para o youtube. Só elas mesmas assistem, e uns poucos e desafortunados amigos para os quais elas enviam um e-mail, com um comentário tipos “olha que legal”. É o seu momento de super-star.

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