A cueca é dele, ele usa como quer

Depois de ter mostrado um baita de um cartão vermelho para o presidente do senado José Sarney, na época em que ainda se discutia se o Sarney devia ou não continuar no cargo depois de arrumar emprego lá para uma dúzia de parentes, fato este que quase ninguém mais se lembra – parece até que foi há uns bons dez anos, não parece? – agora, o Eduardo Suplicy desfilou de cuecas vermelhas  pelos corredores do senado. Tudo bem. Até aí, ninguém tem nada com a cor das cuecas do Suplicy, mas acontece que o ex-marido da dona Marta e glorioso pai do Supla resolveu usar as cuecas por cima das calças. É, isso mesmo. Por cima das calças. A Sabrina Sato, do “Pânico”, disse para o Suplicy que ele podia ser considerado um super-herói por ser autor do projeto que deu origem à lei da renda básica. E se ele não topava usar uma sunga, como o Super-Homem e o Batman fazem há mais de cinqüenta anos. E o Suplicy topou.
Agora, toda a imprensa está caindo de pau em cima dele, dizendo que ele quebrou o decoro parlamentar, e já tem um monte de senadores querendo sua cabeça, dizendo que vão abrir uma sindicância e tudo o mais.
Olha, eu não sei de vocês. Mas eu estou ao lado do Suplicy, para o que der e vier. Para começar, se a Sabrina Sato me pedisse para desfilar com uma camisa do Palmeiras na frente da Gaviões da Fiel, eu desfilava sem nem pestanejar. Por outro lado, quanto ao lance do decoro parlamentar, oras, vamos ser sinceros. O que é que esse bando de político entende de decoro parlamentar? Se você der uma olhada na folha corrida do Suplicy, além do já citado projeto de renda mínima e do cartão vermelho para o Sarney, vai encontrar uma vida só dedicada a lutas pelo direito do homem, da mulher e dos homossexuais. Se você procurar ler sobre qualquer desses escândalos mais recentes, inclusive os que envolviam membros do seu partido, o PT, lá está o Suplicy cobrando providências.
No Brasil, sempre que acontece um problema mais grave, tipos, uma rebelião de presos, ou então um brasileiro que sofra alguma ação discriminatória no exterior, ou então uma invasão de terras, quem é que eles chamam para garantir um mínimo de paz ao ambiente? O Sarney? O José Dirceu? O Arthur Virgílio? Não. Eles chamam sempre o Suplicy.
Por mim, o Suplicy pode desfilar de cueca samba-canção, de terno ou até pelado. Não tem ninguém naquele senado que tenha altura suficiente para roçar os seus calcanhares.

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